17 17UTC dezembro 17UTC 2009
PARA HO CHI MINH
O xadrez
É o único processo real
Que transforma
Em rei um serviçal.
O xadrez
É o único processo real
Que transforma
Em rei um serviçal.
É sabido, já dizia minha avó,
Do pó da terra viemos
E à terra voltaremos.
Pensei:
Mas, se nos explodirmos
Muito pouco pó haverá
Para retornar…
Deixe-me ver…
Como falar…
São tantas palavras
Tortas palavras…
Nenhuma me leva
A lugar algum
Como dizer?
Me expressar…
Na nulidade do ter
Coloco-me a pensar…
Penso palavras
Pesam palavras…
Procuro-me ser
Singular
Em um universo de mesmo
A se transmutar em mesmo
Nessa ideia
Todos são tudo
E eu sou nulo
Ao não me transformar.
Tenho acima de tudo,
Medo.
O novo me parece velho
E ao mesmo tempo não é…
A poesia
Às vezes fica em mim
Assim
Estagnada.
Feito água de poço parada.
Como em represa
Estanque
Contida
Calada
Me forço
Sem esforço
Ouvir Lennon e McCartney
E ela vem
Em torrente bruta
Rompendo diques
Que meu castor se fez.
Em qna
Ana está?
Não sei
Me dizem 36…
E la vou pra Taguá Norte
Outra vez…
Para caminhar
Teu caminho
Preciso calçar meus sapatos
Se vais transitar em meu caminho
Não adianta te dar meus calçados
Teus passos não são os meus dados…
Mas uma coisa é fato,
Sem sapato nenhum passo é dado.
Para caminhar
O caminho
É necessário calçar sapatos…
Não adianta ter outros calçados
Os passos não serão os mesmos
De quem antes possuiu estes sapatos…
Mas, sem sapato, é fato.
Nenhum passo é dado.
Todo dia é dia
De mudar-se
A casa
De lavar
A cara
De sentir-se
Louco
De empanar
O frango
De afogar
O ganso
De beber
Um chopp
De jogar
O dado
………………
Todo dia
Lúdico cítrico
Em si, mim,
Mesmado
Cáustico
Límpida crônica
Em ti, com
sigo
Cântico
Lânguido…
Tenho fome de letras…
Tenho fome de palavras…
O som que emana
De minha boca ao ouvido
Se cala.
Tenho sobretudo fome.
Alimento-me do ouvir
Frases urbanas
Na cacofonia das grandes metrópoles ou
Mesmo dos bucólicos vilarejos…
A fome não mata,
Movimenta.
A fome não cessa,
Fomenta.
A fome é vida
Busca infinita.